A hora de repensar a Educação "Um indivíduo consegue hoje um diploma de curso superior sem nunca ter aprendido a comunicar-se, a resolver conflitos, a saber o que fazer com a raiva e outros sentimentos negativos". Na opinião da pedagoga mogiana Durcilia Verreschi, 73 anos, a frase do psicólogo norte-americano Carl Rogers, traduz o atual perfil do ensino em todo o País. Soma-se a esta situação, a falta de tempo dos pais e responsáveis na participação da vida escolar dos filhos, que é um dos maiores problemas vivenciadas, sobretudo, nas escolas públicas. Para minimizar isso, a educadora propõe a criação de um "ônibus cultural" para percorrer os bairros da Cidade aos finais de semana, envolvendo os pais no processo educativo. "Educar não é um processo unilateral, tanto a família como a escola são responsáveis pela educação do 'ser'", destaca a mantenedora e gestora da escola Universo da Educação Básica (UEB), em Mogi das Cruzes. Com a experiência de quem lecionou em cursos de Educação na Inglaterra, pela Universidade de Educação de Londres, e atuou desde 1958 em todas as etapas do Ensino Fundamental, Médio e Superior, Durcilia alerta que a educação é um processo contínuo, que possibilita o desenvolvimento das diversas habilidades necessárias, entre elas, a comunicação e a compreensão do ser no mundo e ao mundo. "Cabe à educação, integrar o presente e o passado, com o olhar no futuro, nas áreas da Ciência, Artes e Filosofia, levando em consideração a razão e a emoção do indivíduo. Logo, é imprescindível à Educação, adaptar-se às diferenças individuais, integrar-se às diferenças locais e aos contextos culturais, respeitando os diversos ritmos de aprendizagem. A criatividade, o comprometimento e a capacitação continuada são determinantes para que educadores e educandos se envolvam no processo ensino-aprendizagem", explica Durcilia. Para os profissionais da área, as principais mudanças na educação surgiram na década de 70, com a Lei de Diretrizes e Bases/71, quando disciplinas foram deixadas de lado, professores tiveram de se adaptar aos currículos e matéria consideradas, então, obrigatoriedade nacional. "Latim, por exemplo, foi extinto e, com isso, a base da Língua Portuguesa, fundamentada em sua origem, deixou de ser trabalhada. Ficou mais difícil aprender Gramática, pois ninguém mais explicava o porquê das regras gramaticais, ou seja, o motivo de elas existirem. Francês e Espanhol também foram abolidas, passou-se a ensinar o Inglês, pois a influência americana começava a ser cada vez mais intensa", recorda-se a pedagoga. A educadora conta que, nesta fase, segundo sua amiga e também professora Nyssia Freitas Meira, os professores foram proibidos de dar "cópias", "lições de casa", "memorização da tabuada" e "vistos em caderno". Para passar os conteúdos, eles driblavam a direção com jogos e atividades em outros espaços da escola, o que não era bem visto, inclusive por muitos colegas. "A educação começou a perder seu real contexto. De lá para cá, o papel do professor foi, pouco a pouco, sendo desvalorizado pela sociedade", avalia Durcilia, acrescentando que, como profissional da área, sua preocupação sempre foi com a parte pedagógica e a construção do "ser num todo". "Nesta visão holística, todos têm a possibilidade de desenvolver seu potencial, formando o cidadão crítico, consciente e reflexivo", ensina. Mas apesar das dificuldades de hoje, a pedagoga avalia que houve um grande avanço na política educacional da Cidade, na rede municipal, graças ao trabalho da equipe da Secretaria da Educação, coordenada pela professora Maria Geny Borges Ávila Horle. "Com a chegada de novas indústrias e abertura de oportunidades trabalhistas, Mogi das Cruzes cresceu e, consequentemente, houve o aumento do número de escolas particulares e municipais. O Município passou a ter um novo olhar para a educação e estes fatores trouxeram mais desenvolvimento. Logo, foi imprescindível tanto a vinda de universidades, como uma maior preocupação com as políticas educacionais nas redes pública e particular", considera Durcilia. Tecnologia exige mais do professor Mestra em Educação pela Universidade Braz Cubas e especialista em Avaliação à Distância pela Universidade de Brasília, Durcilia Verreschi alerta que, com a evolução da tecnologia, o principal papel do professor é auxiliar o aluno na interpretação destes dados, de maneira que eles saibam relacioná-las e contextualizá-las, já que são fontes constantes de comunicação e pesquisa. "É impossível renegar a evolução tecnológica, pois ela é fruto do pensamento humano. Nas últimas duas décadas, este avanço foi vertiginoso. Quando nossos alunos nasceram, o computador e o celular já faziam parte do cotidiano da sociedade, então, para eles, utilizá-los é como usar garfo e faca", compara a pedagoga. Na atualidade, ensinar e aprender exigem flexibilidade espaço-temporal, com processos diferenciados de pesquisa e de comunicação. Desta forma, a Educação à Distância propicia a extensão da informação, por meio do acesso virtual, mecanismo facilitador do aprofundamento e aperfeiçoamento do conhecimento. Porém, Durcilia avalia que o aprendizado, neste processo, depende sobretudo do aluno. "Ele precisa ter maturidade, comprometimento e organização para incorporar a real significação que essa informação tem para ele", alerta. Fonte: O Diário de Mogi
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